segunda-feira, 14 de setembro de 2020

O Sentido da Vida - parte 2

 

Da Terra, do seu solo
A rocha ganha o colo
Nunca antes sonhado
Sequer ser minerado

Criada para ser rocha
Outra era desabrocha
Nessa dura existência
É minério em essência

Pensa que nunca será
Vista e jamais brilhará
Olhe com que carinho
Ela ganha esse colinho

Que sentido existencial
Pode nutrir um mineral
Carece de pensamento
Como dar provimento?

Sentido é pra onde olha
Conforme a sua escolha
O que quiser, alcançará
Firme na fé, conseguirá

Há porém, uma questão
Não se perca na direção
O objetivo é existencial
Não se fixe no material

Fuja a toda negligência
Dê sentido à existência
Obre no que transcende
Ore que sua luz acende!





domingo, 13 de setembro de 2020

O Sentido da Vida - parte 1



Brilham no céu as estrelas
Na terra, ramos e oliveiras
Acenam pelo tempo de paz
Que se teme não ser capaz

A receita porém, aqui está
Dor e culpa, remova de pá
Vença a usura e a avareza
Doe a fartura da sua mesa

O livro de receitas continua
A dor que você aceita é sua
Pra rejeitar, dilua no tempo
Ponha força em movimento

E defina seu sentido de vida
Mais solícita, menos corrida
Estenda a sua mão ao caído
E o céu brilhará agradecido!

sábado, 12 de setembro de 2020

Vencedor


Será?
Claro ou escuro?
O que parece que virá
Além do horizonte, do muro?

Será?
A flor em exame
Mostra que não temerá
E se veste em cor de sangue

Luta?
Isso não parece
Silencia e faz a escuta
Olha ao alto, se põe em prece

Hora?
Sim e até minuto
Não alimente o seu luto
Cresça na fé, pare a dor agora

Pode?
Sim, você como eu
Esperança ao ser acode
Seguiu com ela, a dor venceu!

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Ah! Normal!

 


Pensando na vida por esse ângulo
E admito, que ângulo privilegiado!
Olho pra frente, por vezes ao lado
Me vem a sensação de preâmbulo

Que coisa maluca esse sentimento
É qual se o dia fosse um momento
E o ano, uma sequência estragada
Feita de dor normal e amargurada

Ouço choro do ano que não existiu
Logo penso: está aí, você não viu?
Mas, não tem sido um ano normal!
Ah! Normal! Significa o que, igual?

Acostumados à dor que sentimos
Estranhamente, a ela preferimos
Do que o movimento da mudança
Que nos convida a boa esperança

Há no ar, no céu, na terra, no mar
Para toda direção que puder olhar
Um halo dessa vida em renovação
Paciência se nutre com resignação

Por isso, olhemos e aproveitemos
A cada instante que hoje vivemos
Pois deles tiraremos novas lições
Saber viver com menos ambições

Normal não é morrer e sim, viver
Vida transcende ao que pode ver
Requer usar de suave percepção
Qual se manifesta como intuição

E ao perceber toda vida pulsante
Que se realiza ao redor e adiante
Vemos o imenso valor em existir
Vida é graça; o normal é resistir!

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Doação do coração


A altitude é relevante
Bela Serra da Piedade
Lá tem seus mistérios
E ao leigo, algo sérios

Essa rocha tartaruga
Parada, não põe fuga
Resiste a cair no vale
1746 m, nem me fale

A mente atormentada
Não crê em mais nada
Na lida, sente a queda
Dor da morte hospeda

E por se ver derrotada
A alma toda paralisada
Na dúvida do que fazer
Se refugia do seu viver

E qual seria o remédio?
Como vencer seu tédio?
Culpar a Deus, resolve?
Vence o que o envolve?

Pensemos nisso então
A Serra é a da Piedade
E a pedra, em verdade
Não rola solta ao chão

A cidade posta no sopé
Manifesta assim sua fé
Com fé, ora agradecida
Por essa rocha contida

Piedade, a rocha detém
Oração assegura o bem
Afinal, que é a gratidão?
Amor doado do coração!

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Aprendi com ele...


Quando pensamos em saudade
Pensamos no que, em verdade
Sentimos falta no dia presente
Sem notar o que nos fez gente

Veja só o que com ele aprendi
O que ganhei e que nada perdi
A integridade resume o ensino
Inciado no berço do eu menino

Sem pensar, ensinava dia a dia
Lutava, insistia, vencia, perdia
Não foi santo, tinha humildade
Era meu exemplo de santidade

Aprendi a viver na honestidade
Não trair nem inventar verdade
Se o exemplo desses é raridade
O aprendizado é uma felicidade

Aprendi o trabalho como bênção
Se tá pesado, agradece ter o pão
Quem labuta com agradecimento
Evita o mal, como o adoecimento

Aprendi que família é um templo
De amor e coragem, foi exemplo
Aprendi a gostar de uma viagem
Ser econômico, fazer reciclagem

Aprendi o real valor do dinheiro
Ser carioca, filho de um mineiro
Aprendi a ir à praia, curtir o mar
Na simplicidade, aprendi a amar

Aprendi que grande não é altura
Grande é agir com desenvoltura
Buscar solução para o problema
Superar o medo e sair do dilema

Aprendi que sim, podemos errar
Que a vida possibilita consertar
O erro decorre da interpretação
Experiência faz melhorar a ação

Ninguém é melhor que ninguém
As atitudes sim, revelam o bem
Aprendi a ser o bem onde andar
Na ética, ao mal não me enredar

Poderia falar até você se cansar
Mas, paro aqui para você pensar
Esse homem que tanto ensinou
O meu pai, sempre me fascinou

(Homenagem ao meu pai que, nascido em 09/09/1929, é meu exemplo em razão e emoção, porque soube em vida cumprir a sua missão!)

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Prenúncio da primavera


Pequena semente lançada ao chão
No frio da umidade, sentiu pressão
Chamada a sorrir, foi flor em botão
Esplêndida, abriu, plena de emoção

Sua alegria é daquela que contagia
Botânica explica, mas é pura magia
O conjugar a beleza com o perfume
Ao tempo que a Terra evoca o lume

Agora veja: Se tudo tem explicação
E se a ciência ensina sem hesitação
É porque o humano soube aprender
O que o universo soube antes fazer

Logo, há causa, não somente acaso
Orgulhoso todo que faz pouco caso
Da inteligência que rege o universo
A vós, Senhor, dedico prosa e verso

Se assim faço, não é pelo não saber
Mas, por agradecer a mim conceber
O sublime direito de existir e sorrir
Na vida que pulsa em eterno porvir

Já não sou mais a semente no chão
Que no inverno praticou a sua lição
De esperança, coragem, resignação
Até se realizar em sublime floração

Sou um que sabe do amor universal
E sigo firme a vencer o frio invernal
E grato pelo calor na forma de amor
Que me faz fortalecer em destemor!